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Gerenciamento de empreendimentos prático, enxuto e sistêmico

Publicado em 16/04/2014.


Os empreendimentos de engenharia & construção têm características específicas que abrangem os seus vários níveis de complexidade, os altos valores envolvidos, o número elevado de stakeholders participantes, a grande diversidade dos tipos de serviços, uma quantidade excessiva de processos, dentre outros. Se não bastassem todas estas características citadas, que já são parâmetros difíceis de serem tratados, possuem um outro aspecto que é uma maior utilização do tempo pelas equipes indiretas em atividades de cunho estritamente operacionais em relação as atividades de gestão.

O gerenciamento pleno inicia-se efetivamente já nas fases primordiais do empreendimento até a sua conclusão, ou seja, deve acontecer por todas as fases do seu ciclo de vida. Para garantir que o empreendimento seja gerido de forma constante e contínua, o gerente do projeto e as empresas envolvidas (gerenciadoras, projetistas e construtoras) devem adotar um gerenciamento prático, enxuto e sistêmico.

As perguntas que poderiam surgir: o que seria um gerenciamento de empreendimentos prático, enxuto e sistêmico? Ou então existe relação entre prático, enxuto e sistêmico? Procuraremos responder a partir de agora.

 

Gerenciamento Prático

É um gerenciamento que pauta na aplicação das principais técnicas e ferramentas mais utilizadas no mundo de forma estritamente prática, ou seja, os conceitos teóricos inerentes a tais técnicas são traduzidos e “tropicalizados” de modo a facilitar a sua utilização.

O uso destas técnicas e ferramentas deve agregar valor ao gerenciamento e garantir o entendimento de todos os principais envolvidos no empreendimento acerca delas. É a aplicação simplificada do gerenciamento de forma consistente e prática.

Podemos a título de exemplo citar a elaboração e o controle de cronogramas. Devem ser simples, elaborados com a abrangência do escopo do empreendimento e acompanhados disciplinadamente (entende-se periodicamente) e de fácil entendimento ao cliente, a equipe de gestão e a equipe de obra (de visualização simples). O planejamento do cronograma deve prever em que nível de detalhe será acompanhado e controlado.

 

 

Gerenciamento Enxuto

Quando se fala em um gerenciamento enxuto, não estamos falando somente de lean construction que é a construção enxuta, ou seja, um não ao desperdício de material e mão-de-obra, mas sim das perdas na realização dos processos de gerenciamento do empreendimentos referente a suprimentos, financeiros e administrativos em geral.

É importante ter o conhecimento profundo dos processos das principais empresas envolvidas no empreendimento, principalmente do cliente que é o final de linha dos diversos fluxos de trabalho. Os processos dirigidos à gestão de empreendimentos devem conversar com os processos organizacionais e isso requer que a equipe de gerenciamento de empreendimentos compatibilize os dois tipos de processos. Tal compatibilização se faz plena com as melhorias dos processos a luz das necessidades do empreendimento específico.

Outra característica de um gerenciamento enxuto é que seja realizado com equipes menos robustas, não onerando por demasia os custos do empreendimento. A determinação clara das funções e responsabilidades de cada membro da equipe técnico-administrativa do empreendimento, seja pelo cliente, pela gerenciadora, pela projetista ou pela construtora permite equipes mais dosadas para a consecução das tarefas.

 

Gerenciamento Sistêmico

Um gerenciamento sistêmico prevê a total abrangência do empreendimento e dos agentes e fatores que o cercam. Exige uma visão coordenada de todo o empreendimento, que propicia a integração entre o escopo, os prazos, os custos, o financeiro, os recursos humanos, as contratações e a qualidade do empreendimento.

Inclui a análise do passado (o “ontem”) para prever, planejar e projetar o futuro (o “amanhã”) e sendo assim, garante a identificação e o detalhamento das certezas e das incertezas no gerenciamento do empreendimento.

Outro aspecto importante é que permite o balanceamento das atividades operacionais em relação as atividades de gerenciamento, sejam táticas ou estratégicas. Nos muitos empreendimentos que já atuamos ficou notório as equipes dispenderem muito mais tempo em tarefas operacionais do que nas tarefas de gestão. Pode parecer paradoxal, mas isso se deve a zona de conforto no qual a maioria dos profissionais se encontra.

A adoção de um gerenciamento sistêmico pressupõe uma mudança significativa de uma atuação fortemente inclinada às atividades operacionais para a preocupação primordial em planejar, acompanhar, monitorar, controlar, agir corretivamente de forma efetiva o empreendimento.

 

Integrando o gerenciamento prático, enxuto e sistêmico

Se os três gerenciamentos funcionam perfeitamente de forma isolada, com a integração os benefícios serão mais evidentes. Imaginemos um gerenciamento que se preocupa em olhar para o todo, tendo um alinhamento e uma otimização com os processos já estabelecidos pelas principais empresas envolvidas e utilizando técnicas e ferramentas simples e de execução perene e menos tortuosas, que resultam no entendimento de todos os principais stakeholders. Este é um gerenciamento que possui os dentes da engrenagem trabalhando harmoniosamente.

Parece um mundo irreal e inatingível, mas quando cliente, gestores e equipe do empreendimento perceberem que isto é importante e possível, nos faz acreditar na sua efetivação e parodiando o slogan de Barack Obama na sua primeira eleição em 2008: Yes, we can!

 

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Engº Maurício Martins Lopes, PMP

É diretor da M2L Project Management, empresa especializada em implantação e consultoria de Gerenciamento de Projetos na área de Engenharia & Construção. Foi um dos fundadores do Capítulo São Paulo, Brasil do PMI® e diretor por duas gestões. Ministra aulas e palestras de gerenciamento de projetos na FATEC, CPLAN, INPG, IETEC-MG e FIA (convidado). Escreve artigos para revistas especializadas em Engenharia & Construção. Pode ser contatado pelo e-mail mauricio.lopes@m2l.com.br.


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