NOTÍCIAS

Utilização das boas práticas do PMI® de forma prática. Um NÃO somente à teoria.

Publicado em 13/03/2014.

 

O reconhecimento geral de que um projeto deva ser gerenciado segundo as melhores práticas existentes já é uma realidade em todo mundo, inclusive de forma enfática no Brasil. Que não seja pela falta de técnicas, modelos, guias, metodologias disponíveis hoje em dia, as desculpas para que os projetos não sejam gerenciados de forma adequada e assertiva. Temos muito material acessível a todos os portes de projetos, dos mais simples aos mais complexos.

Dentre todo este material temos a disponibilização de metodologias e modelos, onde podemos destacar as boas práticas do PMI®, difundidas e disseminadas através do PMBOK® (Project Management Body of Knowledge).  Desde a sua primeira versão em 1996 o PMBOK® apresenta um compêndio que aborda de forma estruturada as técnicas, conhecimentos e ferramentas em gestão de projetos proposta por voluntários do mundo inteiro. Até a última versão, a de 2012 (Fifth Edition), os voluntários, inclusive de diferentes áreas de atuação, têm contribuído com sugestões e atualizações nas mais modernas técnicas utilizadas em gerenciamento de projetos. Isto por só é de uma riqueza ímpar, ou seja, quem pratica, quem gosta e quem conhece o gerenciamento de projetos produz um guia rico e completo.

Com essa disseminação na sua utilização, um número cada vez maior de empresas e profissionais adotam o PMBOK® para auxiliar na gestão dos seus projetos e isso sem dúvida gera benefícios, desde que de forma aplicada. Neste tema vamos nos ater apenas a nossa área de atuação mais efetiva, que é da engenharia & construção.

 

Recentemente em muitos empreendimentos de engenharia & construção têm sido solicitado pelas empresas que a gestão do empreendimento seja seguida segundo as boas práticas do PMI®. Nesta situação a sensação de que há um excesso de formulários, relatórios, modelos a serem preenchidos e assim acaba sendo sintomático. Isto nos remete a uma visão errônea, mas que passa ao mercado que um gerenciamento dentro das práticas do PMBOK® não vai além de um amontoado de papel que engessa a gestão e que em pouco tempo ninguém mais olha. Talvez tal percepção seja alimentada por boa parte dos gestores que agem desta forma.

 

O que ocorre é a existência de um hiato muito grande entre correntes de gestão adotadas. Uma corrente gerencia os seus empreendimentos de forma não estruturada, ou seja, gerencia e tão somente a execução dos projetos (design) e da obra. Já num oposto tem-se uma gestão estruturada por modelos, tal como o do PMBOK®, mas que peca pelo uso de caráter mais teórico, o que não traz o benefício esperado no gerenciamento como um todo.

Diante da preocupação e realidade da abordagem nos extremos, ou seja, ou a não utilização das boas práticas do PMI® ou a utilização excessiva e de forma muito teórica destas técnicas, podemos listar o que não se deve fazer na utilização do PMBOK® e também como se pode valer dos benefícios do PMBOK®.

 

O que NÃO se deve fazer na utilização do PMBOK®

 

1.    Utilizá-lo como um amontoado de templates e apenas preenche-los.

2.    Não ter a aderência à cultura da empresa em sua utilização.

3.    Utilização total sem a distinção do porte do projeto e sem tomar conhecimento de qual é o nível de maturidade da empresa em gestão de projetos.

4.    Sobrepor a importância dos processos de gestão de projetos em detrimento aos processos relacionados ao produto, ou seja, os processos técnicos de engenharia & construção.

5.    Utilização dos processos de gestão de projetos somente por pessoas sem conhecimento técnico em engenharia & construção, O conhecimento em engenharia & construção é condição básica para gerir projetos dessa natureza.

6.    Que o excesso na utilização destes processos de gestão de projetos possa tirar a capacidade de entrega do empreendimento, seja pelo cliente, pela gerenciadora, pelos projetistas ou pelas construtoras. Este é o caso típico em que há o engessamento dos processos de gerenciamento de projetos dentro das empresas, prejudicando ao alcance dos objetivos estabelecidos para o empreendimento.

 

Como utilizar bem os benefícios do PMBOK®

 

1.    Adoção das boas práticas em doses homeopáticas a partir das técnicas, conceitos e ferramentas imprescindíveis na gestão de projetos, tais como definição da EAP, cronograma com caminho crítico, orçamento detalhado, plano de garantia da qualidade e o plano do projeto num primeiro momento e outras técnicas posteriormente.

2.    Disseminar o ponto mais importante que é a visão integradora de todas as áreas de conhecimento no gerenciamento do projeto.

3.    Ter o conhecimento de toda a terminologia e técnicas apresentadas no PMBOK®, garantindo assim uma convergência nas discussões acerca das formas de gerenciar projetos entre os principais envolvidos.

4.    Deve ser realizado por toda a equipe do projeto e não isoladamente por alguns poucos profissionais. A participação deve ser conjunta e sendo assim a responsabilidade pelo gerenciamento passa a ser de todos. Isso motiva a equipe.

5.    Garantir a integração do conhecimento técnico em engenharia & construção com as boas práticas propostas no PMBOK®. Não existe solução única e de prateleira. Cada empresa deve atingir este ponto de equilíbrio entre a prática e os processos de gestão de projetos.

 

Tudo o que foi comentado acima vale para qualquer tipo de projeto de engenharia & construção e também igualmente para os diferentes stakeholders que atuam diretamente no empreendimento, tais como empreendedor (cliente), gerenciadora, projetista e construtora.

 

Conclui-se que o equilíbrio entre a utilização dos processos de gestão de projetos, seja através do PMBOK®, outros modelos ou por metodologia própria e o conhecimento técnico das diversas disciplinas da engenharia & construção garantem um ganho na qualidade no gerenciamento do empreendimento. Aí sim passamos a ter a adoção dos conceitos teóricos na aplicação prática e os ganhos no gerenciamento podem ser mensurados.

 

 

http://www.tron-orc.com.br/upl/mauriciomartinslopes%281%29.jpg

 

 

Engº Maurício Martins Lopes, PMP

É diretor da M2L Project Management, empresa especializada em implantação e consultoria de Gerenciamento de Projetos na área de Engenharia & Construção. Foi um dos fundadores do Capítulo São Paulo, Brasil do PMI® e diretor por duas gestões. Ministra aulas e palestras de gerenciamento de projetos na FATEC, CPLAN, INPG, IETEC-MG e FIA (convidado). Escreve artigos para revistas especializadas em Engenharia & Construção. Pode ser contatado pelo e-mail mauricio.lopes@m2l.com.br.


CONFIRA OS DEMAIS POSTS DESTA SÉRIE:

 

POST 01 - Gerenciamento de Projetos – Uma Abordagem Prática

POST 02 - Como o mercado de engenharia e construção necessita do gerenciamento de projetos